quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Alma







Não é no tomar que há felicidade mas no dar. 

Nossa natureza pode ser tão limpa e clara a ponto de sentirmos muito amor por todos. 

Nosso coração pode ser tão preenchido e aberto a ponto de transbordar bons sentimentos.

Mas para isso acontecer, precisamos rever alguns conceitos.

Não é o corpo que é mestre da alma.

Agora, que houve o despertar, é a alma que é mestre do corpo. 

Agora precisamos ser governantes e capazes de fazer o que queremos.

Agora precisamos nos tornar totalmente livres de sermos governados pelo ego.

O método para isso é ter uma ligação mental com Deus. 

Ele agora está preenchendo a alma com Sua própria sabedoria e amor puro.”


Sarla Didi


bbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbb


Somente por hoje

estarei totalmente

aberto ao Eu Superior.



Valores





Humildade e respeito adicionam cortesia e polidez ao comportamento das pessoas no trabalho. 

Amor e boa vontade transformam a atitude e deixam as pessoas mais cooperativas, gentis e compreensivas.  

Honestidade e integridade são as principais armaduras contras os ataques externos. 

Sentimentos de que o mundo é como uma família e relacionamentos com os outros como se fossem irmãos são aspectos fundamentais na resolução de conflitos.

Todos esses valores aumentam a eficiência das pessoas no trabalho porque elas se percebem como tutores a também se importam com o bem-estar de todos.”


BK Jagdish
 

mmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm
 
 
 
Somente por hoje
tratarei o outro 
como desejo se tratado.


 O MEU ESFORÇO




«Desejo que o mundo usufrua dos gloriosos frutos do meu trabalho, desejo despertar a alma e abrir o espírito dos que vivem privados dessa luz que, seguramente, não é invenção minha. 

Se estiver errado, não creio que o faça deliberadamente. 

E, ao falar e escrever deste modo, não sou impelido pelo desejo de sair vitorioso, pois que reconheço qualquer tipo de fama e conquista como inimigos de Deus, vãs e sem qualquer honra, se não forem verdadeiras; mas, por amor à sabedoria autêntica e num esforço para reflectir com justeza, fatigo-me, sofro, atormento-me.»



Giordano Bruno


.......................................................



- Somente por hoje, permanecerei em absoluto silêncio.
 
 
AUTO CRÍTICA
 
 


"Há os que dizem mais.

Há os que dizem coisa diferente, os que chamam a atenção, os que distraem.
Há aqueles que vêm carregados de intencionalidade e sacrificam a duas ou três pobres ideias a opulência de uma construção.
Mas é tão grande o perigo de falarmos demais… 
E pela ociosidade da nossa palavra, não teremos um dia transviado algum coração prometido ao silêncio, onde se tomam as grandes decisões?"

A todos o Amor de Cristo
( Ruy Belo)

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Somente por hoje:
ouvirei o que me é estritamente necessário;
falarei o que me é estritamente necessário.


domingo, 7 de agosto de 2011

FENG SHUI INTERIOR









A bagunça é inimiga da prosperidade. Ninguém está livre da desorganização.
A bagunça forma-se sem que se perceba e nem sempre é visível.
A sala parece em ordem, a cozinha também, mas basta abrir os armários para
ver que estão cheios de inutilidades.

De acordo com o Feng Shui Interior - uma corrente do Feng Shui que mistura
aspectos psicológicos dos moradores com conceitos da tradicional técnica
chinesa de harmonização de ambientes - bagunça provoca cansaço e
imobilidade, faz as pessoas viverem no passado, engorda, confunde, deprime,
tira o foco de coisas importantes, atrasa a vida e atrapalha
relacionamentos.

Para evitar tudo isso fique atento às


OITO REGRAS PARA DOMAR A BAGUNÇA:
 
1. Jogue fora o jornal de anteontem.

2. Somente coloque uma c oisa nova em casa quando se livrar de uma velha.

3. Tenha latas de lixo espalhadas nos ambientes, use-as e limpe-as
diariamente.

4. Guarde coisas semelhantes juntas; arrume roupas no armário de acordo com
a cor e fique só com as que utiliza mesmo.

5.
Toda sexta-feira é dia de jogar papel fora.

6. Todo dia 30, por exemplo, faça limpeza geral e use caixas de papelão
marcadas: lixo, consertos, reciclagem, em dúvida, presentes, doação.  Após
enchê-las, jogue tudo fora.

7. Organize devagar, comece por gavetas e armários e depois escolha um
cômodo, faça tudo no seu ritmo e observe as mudanças acontecendo na sua
vida.

8.
Veja uma lista de atitudes pessoais capazes de esgotar as nossas
energias.


' Conheça cada uma dessas ações para evitar a 'crise energética pessoal '.

1. Maus hábitos, falta de cuidado com o corpo - Descanso, boa alimentação,
h ábitos saudáveis, exercícios físicos e lazer são sempre colocados em
segundo plano. A rotina corrida e a competitividade fazem com que haja
negligência em relação a aspectos básicos para a manutenção da saúde
energética.

2. Pensamentos obsessivos - Pensar gasta energia, e todos nós sabemos
disso. Ficar remoendo um problema cansa mais do que um dia inteiro de
trabalho físico. Quem não tem domínio sobre seus pensamentos - mal comum ao
homem ocidental - torna-se escravo da mente e acaba gastando a energia que
poderia ser convertida em atitudes concretas, além de alimentar ainda mais
os conflitos.
Não basta estar atento ao volume de pensamentos, é preciso prestar atenção
à qualidade deles. Pensamentos positivos, éticos e elevados podem
recarregar as energias, enquanto o pessimismo consome energia e atrai mais
negatividade para nossas vidas.

3. Sentimentos tóxicos - Choques emocionais e raiva intensa também esgotam
as energias, assim como ressentimentos e mágoas nutridos durante anos
seguidos. Não é à toa que muitas pessoas ficam estagnadas e não são
prósperas. Isso acontece quando a energia que alimenta o prazer, o sucesso
e a felicidade é gasta na manutenção de sentimentos negativos. Medo e culpa
também gastam energia, e a ansiedade descompassa a vida. Por outro lado, os
sentimentos positivos, 'como a amizade, o amor, a confiança, o
desprendimento, a solidariedade, a auto-estima, a alegria e o bom-humor
recarregam as energia e dão força para empreender nossos projetos e superar
os obstáculos.

4. Fugir do presente - As energias são colocadas onde a atenção é focada. O
homem tem a tendência de achar que no passado as coisas eram mais
fáceis:'bons tempos aqueles!', costumam dizer. Tanto os saudosistas, que se
apegam às lembranças do passado, quanto aqu eles que não conseguem esquecer
os traumas, colocam suas energias no passado. Por outro lado, os sonhadores
ou as pessoas que vivem esperando pelo futuro, depositando nele sua
felicidade e realização, deixam pouca ou nenhuma energia no presente. E é
apenas no presente que podemos construir nossas vidas.

5. Falta de perdão - Perdoar significa soltar ressentimentos, mágoas e
culpas. Libertar o que aconteceu e olhar para a frente. Quanto mais
perdoamos, menos bagagem interior carregamos, gastando menos energia ao
alimentar as feridas do passado. Mais do que uma regra religiosa, o perdão
é uma atitude inteligente daquele que busca viver bem e quer seus caminhos
livres, abertos para a felicidade. Quem não sabe perdoar os outros e si
mesmo, fica 'energeticamente obeso', carregando fardos passados.

6.
Mentira pessoal -Todos mentem ao longo da vida, mas para sustentar as
mentiras muita energia é g asta. Somos educados para desempenhar papéis e
não para sermos nós mesmos: a mocinha boazinha, o machão, a vítima, a mãe
extremosa, o corajoso, o pai enérgico, o mártir e o intelectual. Quando
somos nós mesmos, a vida flui e tudo acontece com pouquíssimo esforço.

7. Viver a vida do outro - Ninguém vive só e, por meio dos relacionamentos
interpessoais, evoluímos e nos realizamos, mas é preciso ter noção de
limites e saber amadurecer também nossa individualidade. Esse equilíbrio
nos resguarda energeticamente e nos recarrega. Quem cuida da vida do
outro,sofrendo seus problemas e interferindo mais do que é recomendável,
acaba não tendo energia para construir sua própria vida. O único prêmio,
nesse caso, é a frustração.

8.
Bagunça e projetos inacabados - A bagunça afeta muito as pessoas,
causando confusão mental e emocional. Um truque legal quando a vida anda
confusa é arr umar a casa, os armários, gavetas, a bolsa e os
documentos,alé m de fazer uma faxina no que está sujo. À medida que
ordenamos e limpamos os objetos, também colocamos em ordem nossa mente e
coração. Pode não resolver o problema, mas dá alívio. Não terminar as
tarefas é outro 'escape' de energia. Todas as vezes que você vê, por
exemplo, aquele trabalho que não concluiu, ele lhe 'diz' inconscientemente:
'você não me terminou! Você não me terminou!' Isso gasta uma energia
remenda. Ou você o termina ou livre-se dele e assuma que não vai concluir o
trabalho. O importante é tomar uma atitude. O desenvolvimento do
autoconhecimento, da disciplina e da terminação fará com que você não
invista em projetos que não serão concluídos e que apenas consumirão seu
tempo e energia.

9.
Afastamento da natureza - A natureza, nossa maior fonte de alimento
energético, também nos limpa das energia s estáticas e desarmoniosas.
O homem moderno, que habita e trabalha em locais muitas vezes doentios e
desequilibrados, vê-se privado dessa fonte maravilhosa de energia.
A competitividade, o individualismo e o estresse das grandes cidades agravam
esse quadro e favorecem o vampirismo energético, onde todos sugam e são
sugados em suas energias vitais.

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Divulgue essas dicas para o maior número de pessoas possível e mentalize
que, quando todos colocarem essas regras em prática,
o mundo será mais justo e mais belo.


Vamos tentar melhorar nossa energia pessoal.
Atitudes erradas jogam energia pessoal no lixo. *


Posicionar os móveis de maneira correta, usar espelhos para proteger a
entrada da casa, colocar sinos de vento para elevar a energia ou ter fontes
d'água para acalmar o ambiente, são medidas que se tornarão ineficientes se
quem vive neste espaço não cuidar da própria energia. 


Portanto, os efeitos
positivos da aplicação do Feng Shui nos ambientes estão diretamente
relacionados à contenção da perda de energia das pessoas que moram ou
trabalham no local. O ambiente faz a pessoa, e vice-versa.

A perda de energia pessoal pode ser manifestada de várias formas,
tais como:

- a falha de memória (o famoso "branco"); 

- o cansaço físico, o sono deixa se ser reparador; 
- a ocorrência de doenças degenerativas e psicossomáticas,
- a prosperidade e a satisfação diminuem 
- os talentos não se manifestam mais por falta de energia,
- o magnetismo pessoal desaparece, 
- medo constante de que o outro o prejudique, 
- aumento da competição, do individualismo e da agressividade, 
- falta de proteção contra as energias negativas
- e aumenta o risco de sofrer com o 'vampiro energético'. *

' A Felicidade está na jornada e não no destino. '
Frase do filme Poder além da Vida.





 
Escrito por Isaias Pintto/Médium Dirigente

 

Servir com a mente








 
“Como podemos diminuir a falta de paz e a tristeza que se espalhou no mundo? 

Como ajudar nossos irmãos e irmãs universais? 

A resposta é: servindo através da mente. 

Uma mente com bons pensamentos produz uma boa vibração que por sua vez cria um grande impacto positivo nas almas mesmo à distância.

As pessoas que recebem essas vibrações sentem como se fosse um banho de amor, paz, felicidade, poder e destemor.

E as pessoas que doam boas vibrações também são beneficiadas porque a mente delas está sempre ocupada em servir. 

Não há desperdício de pensamentos.”


Dadi Gulzar







Luz espiritual








A fim de aumentar o poder espiritual pratique ver a estrela brilhante, a alma. 

Sempre que você olhar para alguém deixe que sua visão veja a estrela cintilante no centro da testa. 

Quando sua visão se torna espiritual de uma forma natural, a visão de todos será atraída. 

Veja apenas luz - mesmo à distância - e a luz se espalhará. 

Assim, gradualmente o mundo todo receberá a luz espiritual. 

Todos estão em busca disso.”


Dadi Prakashmani



sábado, 25 de junho de 2011

Contentamento







Que você seja forte e permaneça sempre contente ao encarar os problemas como um meio para elevar seu estado de espírito. 
Pessoas contentes são poderosas, elas superam os problemas tão facilmente como transitar por um caminho livre e direto. 
Para elas, os problemas são um meio para crescer.
Elas experimentam cada problema como algo familiar, como se já tivessem vivenciado e ultrapassado aquilo anteriormente.
As palavras "por causa disso" e "razões" nunca surgem de seus lábios. 
Ao contrário, elas são capazes de transformar razões e desculpas em soluções imediatas.”



Brahma Kumaris



Aceitação








“A nossa paz interior só pode viajar de nosso coração à nossa mente quando nós não mais queremos mudar o que é.

No momento em que aceitamos tudo e todos como são, sem qualquer resistência, este é o momento em que o poder do amor, seu amor, você, são capazes de abraçar a vida em sua totalidade, como ela é.

Só isso já é um grande desafio para muitos de nós que temos uma tendência a gastar muito tempo e energia em nossas mentes.

É lá que julgamos os outros, apressamos os outros e tentamos ‘corrigir’ os problemas do mundo, sob a ilusão de que é nosso trabalho, e que podemos!”


Mike George



Silêncio






É fácil ver os pontos fracos dos outros, mas para ver nossos próprios pontos fracos precisamos ir para dentro, em silêncio. 
Através desse mergulho interno é possível perceber o que precisamos mudar.
Quando fazemos essa mudança nos tornamos um espelho para os outros. 
Ter realização é ter ‘olhos de verdade’ para ver o interior.
Em que medida nos internalizamos?
Até que ponto nos concentramos? 
Poder do silêncio significa ser verdadeiro e tornar outros verdadeiros também.
O poder do silêncio tem grande influência no meio e pode nos ajudar em qualquer situação.
Quando acumulamos o poder do silêncio acumulamos estabilidade. 
O silêncio termina com o desperdício que impede a alma de olhar para si e transformar-se.”


Dadi Janki




Doçura







“No fundo de  toda e qualquer situação há sempre algo bom.
Requer apenas um pouco de paciência para olhar e encontrar. 
Quando conseguimos entender o segredo por trás do que está acontecendo, naturalmente experimentamos doçura em nossas vidas. 
Seja o que aconteça ao longo do dia, deveríamos ser capazes de ver o lado bom nisso. 
Mesmo que eu não consiga descobrir algo de bom naquele exato momento, eu não devo desistir da fé de que as coisas acontecem visando o melhor. 
Doçura é a capacidade de ver o que há de bom em tudo.”



Brahma Kumaris




quinta-feira, 7 de abril de 2011

LIÇÃO DO BAMBU


Depois de plantada a semente deste incrível arbusto, não se vê nada, Durante 5 anos, todo o crescimento é subterrâneo, invisível a olho nu, Mas, uma maciça e fibrosa estrutura de raiz, que se estende vertical e horizontalmente pela terra está sendo construída.

Um escritor americano escreveu:
"Muitas coisas na vida pessoal e profissional são iguais ao bambu chinês"
você trabalha, investe tempo, esforço, faz tudo o que pode para nutrir seu crescimento,e, às vezes não vê nada por semanas, meses, ou anos.
Mas, se tiver paciência para continuar trabalhando, persistindo e nutrindo, o seu 5º ano chegaráe, com ele, virão um crescimento e mudanças que você jamais esperava...
O bambu chinês nos ensina que não devemos facilmente desistir de nossos projetos,de nossos sonhos... especialmente no nosso trabalho, (que é sempre um grande projeto em nossas vidas).
É que devemos lembrar do bambu chinês, para não desistirmos facilmente diante das dificuldades que surgirão.

Tenha sempre dois hábitos:
Persistência e Paciência, pois você merece alcançar todos os sonhos!
É preciso muita fibra para chegar às alturas e, ao mesmo tempo, muita flexibilidade para se curvar ao chão.

APEGO E AVERSÃO







Apego é aquilo que persiste no prazer; aversão é aquilo que persiste no sofrimento. 

Ou, conforme outra versão, o desejo é o apego aos objetos de prazer; o ódio é a aversão por qualquer objeto dos sentidos.

(Aforismos de Ioga de Patânjali, livro II, 7 e 8)

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Ambos (apego e aversão) são obstáculos à iluminação, ou mesmo ao conhecimento relativo de uma pessoa ou objeto. 

Não se pode ter nenhuma percepção imparcial, controlada, do caráter de alguém a que se esteja cegamente apegado ou a quem se olhe com aversão. 

O aspirante à espiritualidade não deve amar em excesso as coisas deste mundo, mas também não deve odiá-las. 

A aversão é também uma forma de escravidão. 

Estamos presos ao que odiamos ou tememos. 

Essa é a razão pela qual, em nossas vidas, o mesmo problema, o mesmo perigo ou dificuldade, se apresentará repetidamente, sob diversos aspectos, enquanto persistimos em resistir-lhe ou evitá-lo, em vez de examiná-lo e resolvê-lo.

Estes objetos de prazer abrangem todos os apegos formados pelo homem desde o estado selvagem da infante humanidade até os graus avançados do discipulado; abrangem tanto o desejo por objetos grosseiros no plano físico, como apego por coisas, ocupações e ações que as emoções ou busca intelectuais oferecem; abrangem toda a gama das experiências sensoriais, desde a resposta do selvagem ao calor e a uma boa refeição, até o êxtase do místico. 

O desejo é um termos genérico, compreendendo a tendência do espírito em se expressar pela vida da forma.

O progresso da alma parece estar neste dispensar de um objeto sensorial a outro até chegar o tempo em que é lançado de volta "sozinho" sobre si mesmo. 

Ele esgotou todos os objetos de apego e até seu próprio guru parece tê-lo deixado só.

Apenas uma realidade permanece, a realidade espiritual que ele próprio é, e seu desejo então se volta para o interior. 

Este não é mais dirigido para o exterior e ele encontra o reino de Deus interno.

Então, todo o desejo o abandona. 

Ele estabelece contatos e continua a se manifestar e a trabalhar nos planos da ilusão, mas trabalha de centro onde habita seu eu divino, e nada mais há para o atrair para os desvios do prazer ou da dor.

O verdadeiro iogue não sente nem aversão nem desejo.

O ódio é o resultado da concentração sobre a forma e de um esquecimento do que toda forma, em menor ou maior grau, revela. 

O ódio nega a unidade, provoca a ereção de barreiras e produz as causas que levam à cristalização, destruição e morte. 

O ódio é, na realidade, o resultado do senso da personalidade e da ignorância, somados ao desejo mal aplicado.


(Comentários de Alice A. Bailey, Swami Prabhavananda e Christopher Isherwood) 






A VIDA É UMA PEDRA DE MOLAR





"A vida é uma pedra de amolar: desgasta-nos ou afia-nos, conforme o metal de que somos feitos.”


( George Bernard Shaw )




QUE EU ME TORNE...






Que eu me torne em todos os momentos,
agora e sempre,
Um protetor para os desprotegidos,
Um guia para os que perderam o rumo,
Um navio para os que têm oceanos a cruzar,
Uma ponte para os que têm rios a atravessar,
Um santuário para os que estão em perigo,
Uma lâmpada para os que não têm luz,
Um refúgio para os que não têm abrigo
E um servidor para todos os necessitados.
 
 
(Gyatso (Dalai Lama), 2000)




TUDO É DEUS










- Quando vires um lindo por do sol, pensa contigo mesmo: "É Deus pintando o céu". Ao fitar o rosto de cada pessoa que encontrares pensa interiormente: "É Deus que assumiu esta forma". Aplica esta linha de pensamento a todas as experiências: "O sangue no meu corpo é Deus, a razão na minha mente é Deus, o amor em meu coração é Deus, tudo o que existe é Deus".


(Yogananda)




terça-feira, 29 de março de 2011

ENTRE OS OPOSTOS, O MEIO



samsara

Desde sempre as mais variadas tradições falam sobre a trindade divina, e sobre aquele aspecto que vem resolver o problema da dualidade. 

Há um meio, moderador entre os opostos, queiramos ou não, entendamos isso ou não.

De certa forma, esse tema sobre os opostos, sobre as dualidades, sobre as parcialidades é ainda muito complicado por causa do tema em si mesmo, ou seja, é sobre parcialidades, opostos e dualidades, e a tendência é sempre estar em um dos lados de cada situação da vida, e quando estamos em um lado da questão, automaticamente excluímos o outro lado, nos agarramos as nossas convicções, e já partimos do pré-suposto que o outro lado está errado, não é o correto, é falho.

A realidade da vida é muito mais que isso, é muito mais que apenas uma possibilidade possível na dualidade, é muito mais que um ponto de vista na díade, é muito mais que certo ou errado, é muito maior que os opostos; e por isso o conflito, pois temos que lidar com esses opostos o tempo todo, diariamente na própria vida em que vivemos.

Essa questão dos opostos assombra o homem desde sempre, e com certeza, é um dos motivos ou impulsos principais na busca por resolver esse conflito que dói na Alma humana, e muito provavelmente, a partir dessa busca, as mais variadas tradições se dedicam a essa questão.

Segundo a psicologia, a psique, como a maioria dos sistemas naturais, tais como o corpo, luta para se manter em equilíbrio. 

Fará isso, mesmo quando suscita sintomas desagradáveis, sonhos assustadores ou problemas da vida aparentemente insolúveis. 

Se o desenvolvimento de uma pessoa foi unilateral, a psique contém em si todo o necessário para retificar essa condição.

A função compensatória empiricamente demonstrável operando em processos psicológicos correspondia a funções auto-reguladoras do organismo, observáveis na esfera fisiológica.

Compensar significa equilibrar, ajustar, suplementar. Considerava a atividade compensatória do Inconsciente como equilíbrio de qualquer tendência para a unilateralidade por parte da consciência.

O objetivo do processo compensatório parece ser o de ligar, como uma ponte, dois mundos psicológicos. 

Essa ponte é o símbolo; embora os símbolos, para serem eficazes, devam ser reconhecidos e compreendidos pela mente consciente, isto é, assimilados e integrados.



A essa integração é o que se pode chamar de função transcendente, e que conecta opostos.

Exprimindo-se por meio do símbolo, ela facilita a transição de uma atitude ou condição psicológica para uma outra.

A função transcendente representa um vínculo entre dados reais e imaginários, ou racionais e irracionais, preenchendo assim a lacuna entre a consciência e o inconsciente.

“É um processo natural”, escreve Jung, “uma manifestação da energia que se origina da tensão dos opostos e consiste em uma série de ocorrências de fantasias que surgem espontaneamente em sonhos e visões”.

Mantendo-se em um relacionamento compensatório com ambos, a função transcendente possibilita que a tese e a antítese se confrontem uma com a outra em termos iguais.

O que é capaz de unir estas duas é uma afirmação “metafórica (o símbolo)” que, ele próprio, transcende o tempo e o conflito, nem aderindo nem participando de um ou de outro lado, mas de alguma forma comum aos dois e oferecendo a possibilidade de uma nova síntese. 

A palavra transcendente é expressiva da presença de uma capacidade de transcender a tendência destrutiva de empurrar (ou ser empurrado) para um ou para outro lado.

Jung argumentava firmemente que a função transcendente não atua sem objetivo e propósito. 

De qualquer forma, possibilita a uma pessoa ir além de um conflito insípido e evitar a parcialidade. Seu papel na estimulação da consciência é significante. 

Fornece uma perspectiva diferente de uma puramente pessoal. Surpreende apontando, muitas vezes como que de uma posição mais objetiva, uma solução possível.

As especulações de Jung sobre a natureza da psique levaram-no a considerá-la uma força no universo, psique como um campo separado além das dimensões biológicas e espirituais da existência. 

Psique como “relacionamento” entre o corpo e o espírito, porque é na psique onde o relacionamento dessas dimensões ganha existência.

A superposição conceitual entre a psique e o self pode ser resolvida da seguinte forma: Embora o Self se refira à totalidade da personalidade, como um conceito transcendente, ele também possui a capacidade paradoxal de se relacionar com seus vários componentes, por exemplo, o ego.

A psique abrange esses relacionamentos e pode-se mesmo dizer que é formada desses dinamismos.

Na tradição esotérica, Israel Regardie, diz que o método de elevação da Kundalini, ou de conscientização da Essência, se dá através da “conciliação”  das energias “opostas” na Árvore, essa conciliação se efetua no pilar central, ou pilar do meio/equilíbrio, e é nesse equilíbrio onde nasce o Filho em Tiphereth, ou seja, o diálogo com o Sagrado Anjo, o Self.

Todas as sephiroth, como são chamadas essas emanações, abaixo daquela que é chamada Coroa, recebem atribuições masculinas e femininas (opostas), e a atividade entre sephiroth masculinas e femininas em “reconciliação” é um “filho” por assim dizer, uma sephirah “neutra” atuando em equilíbrio. 

Assim a Árvore da Vida, compreendendo essas dez emanações, se desenvolve a partir da mais elevada abstração até o mais concreto material em várias tríades de potências e forças espirituais. 

Masculino, feminino e criança; positivo, negativo e sua resultante mescla num terceiro fator reconciliador.

“A corda de um instrumento musical não pode ser retesada demais, pois assim ela rompe, e nem pode ser frouxa demais, pois assim ela não toca.”

Foi assim que Siddhartha Gautama (Buda Shakyamuni) teve o grande insight do caminho do meio.

A fim de esclarecer a verdadeira natureza da vida, os budistas formularam o conceito do Caminho do Meio, que implica em uma abordagem equilibrada da vida e no controle dos impulsos e do comportamento das pessoas.

O conceito deriva de um princípio, fundamental para a filosofia budista, conhecido como “unificação das três verdades”, exposto por Tient’ai com base no Sutra de Lótus. 


As três verdades são: a verdade da não-substancialidade (ku), a verdade da existência temporária (ke) e a verdade do Caminho do Meio (tyu). 

Embora a vida seja vista com base nesses três aspectos, estes não podem ser separados. Um contém o outro e são fases inseparáveis de todos os fenômenos. Por essa razão, são chamados também de verdade tríplices.

Embora a palavra “meio” denote moderação, o termo não deve ser interpretado como uma atitude passiva, comodista e relapsa.


Tampouco significa que as pessoas devam seguir um curso médio entre dois pontos extremos, mas sim, unificar e transcender a dualidade.

Em um sentido mais amplo, Caminho do Meio refere-se à visão correta da vida ensinada pelo Buda, e às ações ou atitudes que geram felicidade para si próprio e para os outros. 


Por essa razão, o budismo é também referido como “Caminho do Meio”, indicando uma transcendência e conciliação dos extremos de visões opostas.

Esse conceito é exemplificado pela própria vida de Shakyamuni.

Tient’ai na China, afirmava que todos os fenômenos são manifestações de uma única entidade. 

A essa entidade ele chamou de Caminho do Meio. 

Ele revela dois aspectos: um físico e o outro não-substancial. 

Ao negar ou enfatizar apenas um deles, as pessoas estariam distorcendo a visão correta da vida. 

Não se pode, por exemplo, conceituar uma pessoa sem um aspecto físico e sem um aspecto mental ou espiritual. 

Tient’ai esclareceu, portanto, a inter-relação indivisível entre ambos os aspectos.

Dessa visão derivam os conceitos budistas de inseparabilidade do corpo e da mente, do ser e seu ambiente, da vida e da morte, do bem e do mal e muitos outros.

Nitiren Daishonin (uma vertente do budismo no Japão) esclarece: “A vida é, de fato, uma realidade que transcende tanto as palavras como os conceitos de existência e inexistência.

Ela não é nem existência nem inexistência, no entanto, mostra características de ambas. 

É a entidade mística do Caminho do Meio, ou seja, a realidade fundamental. 

Myo é o nome dado à natureza mística da vida, e ho, a suas manifestações.

Rengue, que significa flor de lótus, simboliza as maravilhas da Lei. Se compreendermos que nossa vida neste momento é myo, então também compreenderemos que nossa vida em outros momentos é a Lei Mística”.

Dessa perspectiva, a vida — a energia vital e a sabedoria que permeiam o cosmos e manifestam-se em todos os fenômenos — é uma entidade que transcende e harmoniza as contradições aparentes entre os aspectos físico e espiritual e entre a vida e a morte.


As pessoas em geral tendem a uma visão predominantemente materialista ou então espiritualista da vida.


No Dhammapáda, escritura clássica do budismo, é atribuída ao Buda a seguinte frase: “Aquele que venceu as cadeias do mal, mas também venceu as cadeias do bem, lhe chamo eu, Brahmane.” 

Assim, essas duas obras, de tradições diferentes, dizem respeito à transcendência dos opostos, na qual o indivíduo deve ser, simplesmente, como a Natureza o criou.

Segundo nosso amigo Lúcio/Malprg: “A consciência Jesus é a consciência do homem Jesus, na qual Cristo repousa como um potencial adormecido. Poderíamos chamá-la de “tese”. 

consciência Jesus-Cristo brota quando esse potencial desperta (o despertar da Kundalini no  chacra básico), criando uma dualidade entre a consciência individual e o Self cósmico – é a antítese. 

Finalmente, a consciência Cristo é o resultado final desse conflito dialético, quando os elementos individuais, humanos e egóicos são transmutados pelo contato com o Self e resta apenas a consciência cósmica. Seria a “síntese”. 

É uma descrição que poderia se aplicar perfeitamente à trajetória histórica de Jesus Cristo, mas que também se aplica à trajetória ideal de cada um de nós, não ficássemos enredados eternamente no estágio intermediário da dualidade.”

Também no Taoísmo temos o trio Jing – Chi – Shen essência/substancia/energia espiritual.

E ainda no Taoísmo, Yin significa turvo, nebuloso, escuro, e Yang significa claro, luminoso, ensolarado.

Como todos os opostos o Yin e o Yang são as duas faces de uma mesma moeda, são as polaridades que provocam uma tensão que engendram todo movimento.

Deste modo, tudo está dividido ou repartido  em características Yin e Yang. 

O Yin é passividade, feminino, a água, a terra, é o movimento para baixo e para dentro, que pode ser comparado a Lua, é força centrípeta ou constritiva. Já Yang é o oposto, é atividade, masculino, é fogo ascendente, é o céu, tudo que ascende, e pode ser comparado ao Sol, é força centrífuga ou expansiva.

Todo o Universo é formado de Yin e de Yang, do mesmo modo que toda a matéria é formada de prótons positivos e elétrons negativos.

No equilíbrio destes opostos, está à base do correto sincronismo com o TAO. 

Como os opostos não podem unir-se, exigem um “mediador”, que neste caso resulta ser o TAO.

Como podemos ver, as mais variadas tradições enfocam a mesma dualidade, bem como um princípio moderador e unificador destes opostos, resultando no TAO Chinês, Unus Mundus dos Alquimistas e Psicologia, no Cristos do cristianismo, na consciência Budica, etc, etc, etc, assim, esta terceira coisa, que junto forma uma trindade, é que vem solucionar essa questão dos opostos.



Ref.: Rubedo, 
O Franco-Atirador,
Wikipedia, 
Buda na Web
(Budismo de Nitiren Daishonin)



tao



O ego segundo o budismo Tibetano








Uma das maneiras de olhar a natureza da existência é a partir do ponto de vista de nossa própria percepção, da maneira como experimentamos o mundo individual que cada um de nós habita. 

Todos os fenômenos que aparentam existir fora de nós estão também contidos dentro deste mundo, porque a nossa experiência real deles somente existe dentro de nossas mentes, intermediada pelos sentidos.

A palavra dharma tem o sentido básico de manter e apoiar. Seu uso primário é para transmitir as idéias de lei, religião e dever que preservam a sociedade humana e são preservados por ela em uma relação recíproca; em um nível pessoal, significa o papel especial na vida que cada ser vivente nasceu para realizar — a verdade interior da pessoa, a lei pela qual alguém vive. 

Pode também significar a natureza inerente da qualidade de qualquer coisa, a lei que determina exatamente o que cada coisa é e faz. Assim como o dharma de um rei é reinar o dharma do fogo é queimar. Nesse sentido , existem inúmeros dharmas, as leis fundamentais de tudo que existe. 

Entre eles, certos elementos físicos e psicológicos em particular foram identificados no budismo como estando na raiz de nossa maneira de perceber o mundo.


A ligação entre dharma e os dharmas é a própria ideia de lei interior e verdade. O dharma ensinado pelo Buda revela a verdade sobre a existência, a lei final da vida. Dharma, a verdade em si, manifesta-se espontaneamente como os muitos dharmas, as realidades fragmentadas da existência relativa, temporária. 

Eles tomam muitas formas, aparecem e desaparecem, ainda assim , em essência, nunca foram além da verdade.


No budismo, o mundo externo nunca é considerado separado do observador. Só podemos conhecer o mundo como o experimentamos.

O universo físico certamente não é ignorado, mas é sempre tratado como indivisivelmente  ligado com o mundo interior da consciência. Portanto, na análise budista, ele é representado por somente cinco dharmas: o campo dos cinco sentidos.

Todos os fenômenos materias são definidos pelo fato de que podem ser vistos, ouvidos, farejados, saboreados ou tocados. Se não fossem perceptíveis pelos sentidos, não saberíamos nada sobre eles, e o que quer venhamos a conhecer chega até nós somente por meio dos sentidos. 

Todos os outros dharmas estão envolvidos com os processos de percepção e consciência,  e com estados psicológicos. Esses estados mentais condicionam a maneira pela qual experimentamos o mundo, de tal forma que mente e corpo, interior e exterior, nunca podem ser separados.

O sistema de dharmas descreve a existência, não de uma forma teórica, mas como ela é realmente vivida por seres conscientes de momento a momento.

Os dharmas são uma ferramenta para análise, de forma a observar como o sentido de ser surge a partir de uma combinação de muitos fatores diferentes e como evolui e se perpetua, embora não tenha uma realidade independente própria. 

Nesse método de análise, todos os dharmas são agrupados em cinco categorias, que são os “cinco skandhas”: forma, sentimento, percepção, condicionamento e consciência.

A palavra sânscrita Skandha tem um duplo significado: pode indicar um grupo composto de unidades menores ou uma única unidade que faz parte de um grupo maior, como uma divisão de exército que contém muitos soldados, mas é parte de uma força muito maior. 

Tradicionalmente em seu uso budista , a ênfase era no primeiro sentido, a ideia de que cada skandha é composto de um grupo de dharmas.

O sistema dos skandhas demonstra como eles se combinam para produzir a ilusão de um ser, e ainda assim esse ser não tem base na realidade. 

Embora sejamos tão completamente apegados a ele, tudo o que somos e tudo o que experimentamos pode ser explicado perfeitamente sem ele. Trungpa Rinpoche descreveu os cinco skandhas como o processo das cinco etapas do desenvolvimento do ego.


Cada um de nós pensa em si como uma personalidade unica, unificada, mas, se examinarmos nossa experiência cuidadosamente, verificamos que nossos pensamentos e sentimentos estão mudando todo o tempo, em um momento estou feliz, no momento seguinte sinto-me contrariada ou zangada, depois já esqueço por um novo interesse. 

Se uma parte de meu corpo está doendo, então sinto que não sou nada além de dor. Em outras palavras, o “eu” está mudando continuamente. 

Não existe um encadeamento consciente unificador que perpasse todos os diferentes pensamentos e sentimentos. Somos uma corrente interminável de estados psicológicos momentâneos e interconectados . 

É assim que uma pessoa é vista no budismo. Em vez de um ser fixo, existe um fluir contínuo de momentos de consciência, que é chamado de continuum mental ou corrente mental. 

Os dharmas são partículas temporárias de experiência, como gotas de água que fazem a corrente fluir, enquanto os skandhas podem ser vistos como os padrões presentes na corrente.

O primeiro passo em direção ao despertar é superar nossa visão ordinária, de senso comum de nós mesmos como seres reais, sólidos e permanentes. 

Investigar as unidades básicas da existência mina a solidez do nosso mundo. Aquilo que chamamos “corpo” — ou uma mesa, uma árvore, ou qualquer coisa que seja — são apenas nomes, termos convencionais; são na verdade somente coleções de dharmas, surgindo e decaindo novamente, combinando-se temporariamente de acordo com as circunstâncias. 

Desse ponto de vista os dharmas são reais; eles são as realidades últimas, porque são o que realmente experimentamos. É o “ser” que é irreal, apenas uma construção da mente.

A segunda fase é revelado que os próprios dharmas são vazios de qualquer existência independente ou de natureza inerente própria. 

Nesse estágio, a meditação se expande para além da área da própria falta de substancialidade individual para compreender a natureza onírica do universo inteiro. 

Essa compreensão quebra a barreira da dualidade do ser e do outro, e estimula o amor e a compaixão por todos os seres viventes, que estão sofrendo desnecessariamente por causa de sua confusão a respeito da existência. 

Não é mais necessário para o meditante se concentrar em identificar os dharmas separados como um antídoto para o sentido do ego. 

Ao contrário, com pelo menos uma experiência básica de sua ausência, existe mais ênfase em entender o processo pelo qual nossa experiência de vida baseada no ego é continuamente construída e mantida pelos cinco skandhas, e em ser vista através de sua aparente realidade.


Finalmente, o ensinamento da terceira  fase revela que a compreensão do vazio não é nenhuma outra senão a da natureza de Buda. A ausência de um ser limitado, individual, “não é o nada”, mas a experiência da presença desperta. 

É o grande ser, puro desde o início. A potencialidade para a iluminação existe dentro de cada um de nós, como uma natureza verdadeira, original.

Nosso estado desperto fundamental nunca foi diminuído ou destruído, apenas obscurecido pela ignorância. Mas de onde surgiu a ignorância? 

Ela surgiu daquele próprio estado básico, assim como uma ilusão.

Toda a elaborada estrutura do “ego” e do mundo samsárico de alguma forma se desenvolveu sem qualquer realidade própria, como em um sonho.


( Francesca Fremantle, in “Vazio Luminoso”.)




VOCÊ É UM BUDA EM POTENCIAL









 
O nome Buda vem da palavra “bud” que significa acordar, entender e saber. Buda é aquele que está desperto, que está consciente de tudo que acontece no momento presente. A profundidade de seu entendimento e amor é muito grande. Qualquer um pode se tornar um Buda. Todos somos Budas em potencial. Todos somos futuros Budas, capazes de ter profundo entendimento e uma grande habilidade de amar e aliviar o sofrimento dos outros.
Amigos do Buda geralmente se cumprimentam juntando suas palmas como uma flor de lótus. O lótus é uma linda flor que parece com a magnólia. Nós juntamos nossas palmas enquanto inspiramos e dizemos silenciosamente: “Um lótus para você”. Então reverenciamos, expiramos e silenciosamente dizemos: “Um Buda em potencial”. Oferecemos esse gesto como um presente.
O Buda disse que há muitos outros Budas em todo lugar que estão ensinando, tentando trazer amor e compaixão para a vida diária. O Buda disse: “Todos vocês são Budas em potencial”. Ele estava certo, porque em cada um de nós há sementes de entendimento, amor e compaixão. Quando cultivamos amor e entendimento, regamos estas sementes, e elas irão brotar e dar frutos. Se praticarmos de acordo com os ensinamentos do Buda, nos tornaremos Budas.
Cada um de nós é um Buda em potencial. É por isso que queremos viver de um modo que o Buda em nós possa florescer. Quando sabemos como respirar, como andar, como sorrir, como tratar as pessoas, plantas, animais e minerais, nos tornamos Budas verdadeiros.
Nos textos Budistas, chamados sutras, a mensagem mais importante é que todos têm a capacidade de ser um Buda – a capacidade de amar, entender e se iluminar. Esta é a mais importante mensagem de todos os sutras.
A prática que eu gostaria de mostrar é chamada “Lembrança do Buda”, e é ensinada em toda escola de budismo. Você toca o Buda interior, todas as qualidades do Buda e sabe que o Buda é absolutamente real – não uma idéia, não uma noção, mas uma realidade. Nossa tarefa, nossa vida, nossa prática é nutrir o Buda em nós e nas pessoas que amamos.
Você pode querer gastar três ou quatro minutos nesta prática, sozinho ou com alguns amigos. Sente-se quietamente, inspire e expire por alguns minutos para se acalmar e então pergunte, “Pequeno Buda, você está aí?” Faça a pergunta muito profundamente e quietamente. “Meu pequeno Buda, você está aí?” No começo, você pode não ouvir uma resposta. Há sempre uma resposta, mas se você não estiver calmo o suficiente, não ouvirá. “Alguém aí? Pequeno Buda, você está aí?” E então você ouvirá a voz do seu pequeno Buda respondendo: ”Sim, meu querido, é claro. Eu estou sempre aqui para você”.
Ouvindo isto, você sorri. “Eu sabia, pequeno Buda, você é minha calma. Eu sei que você sempre está aí, e preciso de você para me acalmar. Freqüentemente, não estou calmo como gostaria. Eu grito, ajo como se não tivesse o Buda em mim. Mas como eu sei que você está lá, sei que sou capaz de ficar calmo. Obrigado pequeno Buda, preciso de você”. E o pequeno Buda diz: “É claro, eu estarei aqui para você todo o tempo. Apenas venha e me visite quando precisar.” Esta é a prática de tocar o Buda interior. É uma prática importante para todos nós.
Eu amo sentar perto de crianças devido ao seu frescor. Cada vez que seguro a mão de uma criança e pratico meditação caminhando, sempre me beneficio do seu frescor. Eu posso ser capaz de oferecer à criança minha estabilidade, mas eu sempre me beneficio do frescor delas. Se você perder sua paz e alegria, lembre-se que você esteve com frescor muitas vezes no passado. E se você tocar o Buda, o frescor em você continuará a crescer.
Você pode dizer ao Buda dentro de você: “Querido pequeno Buda, você é meu frescor. Obrigado por estar aí. Querido pequeno Buda, você é minha suavidade.” Suavidade é o que todos nós precisamos.
“Querido pequeno Buda, você é minha plena atenção.” E isto é verdade, porque o Buda é alguém que é feito da energia de plena atenção. Ser plenamente atento significa ser consciente do que está acontecendo, e isto é apenas possível quando você está realmente lá, cem por cento presente. Seja quando for, que você agir em plena atenção – tomando um copo de leite, andando ou respirando conscientemente – você estará tocando sua natureza de Buda.
“Querido Buda, você é meu entendimento.” Entendimento é tão crucial. Se você não entende alguém, não pode amá-lo. O Buda é o poder do entendimento. Quando você está plenamente atento e consciente de tudo, isto está acontecendo dentro de você e ao seu redor, você entende as coisas e as pessoas facilmente. Portanto pode dizer: “Pequeno Buda, você é meu entendimento. Eu preciso muito de você porque sei que entendimento é a fundação do amor.”
“Querido pequeno Buda, você é meu amor. Você é a capacidade de amar.” Você também tem a capacidade de amar. Se você tocar esta capacidade todo dia, seu amor crescerá, sua capacidade de amar crescerá e você estará no seu caminho de plenamente perceber o Buda dentro de você.
Cada vez que você visitar o Buda, o Buda em você se beneficia. O Buda em você terá mais espaço e ar para respirar. Durante o dia, você pode ter sofrido, pode ter ficado com raiva, e isso retira de seu Buda interior ar fresco para respirar. Seu pequeno Buda pode estar sufocado. Mas cada vez que você praticar tocar o Buda, trará muito espaço e ar, e o Buda dentro de você terá uma chance de crescer. É muito importante.
Se você praticar tocar essas qualidades do Buda em você, você tocará o Buda verdadeiro, não o Buda feito de gesso, cobre ou mesmo esmeraldas. Buda não é um deus. Buda não é alguém fora de nós, alto no céu ou no alto de uma montanha. O Buda está vivo e vivendo conosco.
“Querido Buda, é muito confortável saber que você está aí. Pequeno Buda, eu preciso muito de você.” E o pequeno Buda em você dirá: “Querido, eu também preciso muito de você. Por favor, venha e me visite com mais freqüência”.
Antigamente, quando não havia telefones, as pessoas que viviam longe das outras não podiam se falar. Quando o telefone foi inventado, era como se fosse um milagre. Você está acostumado com o telefone, portanto não vê o quanto é maravilhoso, mas é realmente uma invenção milagrosa. Cada vez que usamos o telefone e ouvimos a voz de nosso amado que vive longe, ficamos muito felizes. O sino é um tipo de telefone, porque ouvir o som do sino é como ouvir a voz de alguém querido no telefone.
O som do sino pode ser descrito como a voz do Buda nos chamando para casa, nos lembrando para estarmos mais em paz conosco mesmos e com o mundo. Prestamos uma atenção amorosa a esta voz. Ouvir o sino pode ser muito maravilhoso, pode nos trazer muita paz e alegria. Pode nos trazer de volta para nossa verdadeira casa.
Quando estamos longe de nossa verdadeira casa por muito tempo, desejamos voltar. Na nossa verdadeira casa nos sentimos em paz. Sentimos que não temos que correr para nenhum lugar, que estamos livres de problemas. Podemos relaxar e sermos nós mesmos. Já somos o que queremos ser. É maravilhoso ser do jeito que você já é. Você não precisa ser nada mais, ser outro alguém.
Olhe para a macieira. É maravilhoso para a macieira ser uma macieira. Ela não precisa se tornar algo diferente. Como é maravilhoso que eu seja eu mesmo. Como é maravilhoso que você seja você mesmo. Não há necessidade de tentar ser algo ou alguém diferente. Precisamos apenas nos deixar ser quem já somos, e nos desfrutar apenas como somos. Este sentimento, esta percepção, é nossa verdadeira casa. Cada um de nós tem uma verdadeira casa dentro de si.
Nossa verdadeira casa sempre nos chama, dia e noite, com uma voz clara. Ela permanece nos mandando ondas de amor e preocupação, mas ela não nos alcança porque estamos muito ocupados. Portanto quando ouvimos o sino, lembramos que ele está nos ajudando a voltar para nossa verdadeira casa, e deixamos ir tudo – fala, pensamentos, brincadeiras, cantos, estar com os amigos ou até meditação! Desistimos de tudo e voltamos para nossa verdadeira casa.
Quando você ouvir o som do sino, o Buda do sino, não fale, pense ou faça nada, porque você está ouvindo a voz da pessoa que você ama e respeita muito. Apenas pare quietamente e ouça com todo seu coração. Se houver três sons, ouça e respire profundamente durante todo o período com concentração. Inspirando, você se sente ótimo, expirando, se sente feliz. Se sentir feliz é muito importante. Qual a finalidade de respirar e praticar se você não se sentir ótimo, se você não se sentir mais feliz? O mais profundo desejo em cada um de nós é o desejo de ser feliz e de trazer felicidade às pessoas e seres vivos ao nosso redor.
Você pode querer convidar o sino você mesmo. Aqui segue como fazer. Primeiramente, segure o sino alto, deixando a almofada do sino no chão e usando sua mão aberta como almofada. Sua mão aberta segurando o sino parece muito bonita como um crisântemo ou uma flor de lótus com cinco pétalas abertas. Nossa mão é o lótus e o sino é a jóia preciosa no lótus. Podemos olhar para ele e dizer: “Oh, a jóia que está no lótus”. Ou em sânscrito, om mani padme hum.
Ponha o sino na sua mão em forma de lótus, levante sua testa, olhe para ele e sorria. Então inspire e expire três vezes enquanto você silenciosamente recita o seguinte gatha (poema).
Corpo, fala e mente em perfeita unicidade, Eu envio meu coração junto com o som deste sino. Possam os ouvintes despertar do esquecimento E transcender o caminho da ansiedade e tristeza.
Está tudo bem se, enquanto tocar o sino, você esquecer este gatha, mas faça seu melhor para lembrar dele. Inspiramos e recitamos a primeira linha
Corpo, fala e mente em perfeita unicidade,
Isto significa que temos concentração. Então com nossa expiração:
Eu envio meu coração junto com o som deste sino.
Isto significa que você envia seu amor para o mundo. Diga na sua inspiração:
Possam os ouvintes despertar do esquecimento
Esquecimento é o oposto de plena atenção e o som do sino nos ajuda a ser plenamente atentos. Ouvindo a voz do Buda, o som do sino, voltamos ao momento presente. Na sua expiração diga:
E transcender o caminho da ansiedade e tristeza.
Depois de ter praticado inspirando e expirando assim enquanto recita o gatha, você se sentirá melhor, sua mente e corpo estão agora unidos, você está concentrado e tem o belo desejo que todos que ouçam este sino não sintam tristeza, raiva ou ansiedade e que eles desfrutem a respiração e sorriam.
Agora que você está se sentindo bem melhor, está pronto para convidar o sino a soar. Quando convidar o sino a soar. Quando convidamos o sino, sempre fazemos um som de despertar para preparar a todos para o som completo do sino de forma que todos não fiquem surpresos por ele. Não é um som cheio. Tocamos o bastão (“aquele que convida”) no sino; é chamado “acordar o sino”. Todos param os pensamentos e a conversa e ficam prontos para receber o som do sino, porque o som do sino é considerado como sendo a voz desperta do amor e compaixão. Todos se preparam para o chamado do Buda.
Entre o acordar do sino e o som verdadeiro há o espaço de uma respiração. Portanto você pratica respirar enquanto espera pelo som verdadeiro e então convida o sino de forma que o som verdadeiro venha. Dizemos “convidar o sino a soar”, não “bater o sino”, porque queremos ser gentis e não sermos violentos com o sino.
Aqueles que estiverem ouvindo o som do sino silenciosamente recitam o seguinte gatha:
Ouça, ouça, Este som maravilhoso me traz de volta para minha casa verdadeira
Ouça, ouça, significa que ouvimos com toda a nossa concentração enquanto inspiramos e com nossa expiração, sorrimos e dizemos Este som maravilhoso me traz de volta para minha casa verdadeira. O som do sino é a voz do Buda em você te chamando de volta para sua casa verdadeira, a casa da paz, tolerância e amor.
 
 

Thich Nhat Hanh